sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"Ela abraçou uma luta", diz mãe de pichadora

Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine


- Me ligaram dizendo que ela já sorriu.
- Vai encontrar com ela agora?
- Vou. (Silêncio) Estou muito ansiosa. Tenho muitas coisas para dizer para ela, nem sei por onde começar.

Rosemari Pivetta é a mãe de Caroline. "Ansiosa", espera a filha e seu advogado chegarem da penitenciária feminina em Sant'Ana, Grande São Paulo. "Estou esperando, o trânsito dessa cidade é infernal". Rosemari vive em Porto Alegre (RS) e veio para São Paulo após a prisão de sua filha. Nesta quinta-feira, 18, Caroline recebeu habeas corpus para responder em liberdade.
"Eu não sei o que é classificado como classe média no Brasil, agora ficou tão difícil". Rosemari trabalha e faz artesanato para ter um pouco mais de renda no final do mês, mas ainda assim, vive nos fundos da casa dos seus pais. "Sou de classe baixa, mas, independentemente da classe, ver uma pessoa muito querida numa instituição como uma penitenciária é muito doloroso", lamenta a mãe de Caroline.

Rosemari fez uma única visita à sua filha na penitenciária. Uma visita administrativa e, segundo ela, "muito dolorosa". A prisão de Caroline aconteceu no dia 26 de outubro, dia em que a "Bienal do vazio" foi aberta ao público.

Ela e mais 40 pichadores de vários grupos acabaram com a razão de ser do apelido e preencheram as paredes de Niemeyer. Neste dia, a gaúcha Caroline com mais dois rapazes - estes já estão em liberdade - foi presa e levada para a 32ª DP no Paraíso. Ela deixa a prisão depois de 53 dias detida na Penitenciária Feminina, no Carandiru.

O movimento feito em torno do caso mobilizou conhecidos de Rosemari, que lhe ajudaram a pagar o advogado. Ela conta que, antes disto, tentou acionar a defensoria pública. "Mas, graças a Deus, minha família e amigos se uniram para ajudar a pagar um bom advogado" - conta, aliviada. E prossegue: "O caso dela é complicado".

- Ela deve arcar com as conseqüências do delito que cometeu. Acho que foi uma injustiça, mas luto para que ela responda em liberdade e foi só por isto que vim para São Paulo - afirma Rosemari.

A mãe conta que Caroline sequer ligou para pedir socorro. "Não me chamou porque ela sabia a minha posição em relação à pichação". Rosemari diz a Terra Magazine que prefere não se pronunciar sobre as atividades da filha. Mais adiante ela explica o porquê.

Sobre o futuro da filha, Rosemari revela seus conselhos:

- Por hora quero que cuide da vida dela e pense bem na responsabilidade que ela assumiu com este ato. Ela abraçou uma luta porque é contra certas coisas e espero que ela não deixe essa luta morrer aqui. Que ela continue lutando pelo que acredita, mas sempre lembrando de todos os conselhos que eu sempre dei.

Questionada sobre os trabalhos da filha pela cidade, Rosemari afirma já ter visto uns pela cidade.
- Gostou?
- Não quero falar sobre isto. É uma questão minha e dela. Eu não quero me contradizer na luta que eu abracei: justiça, por todos aqueles que passam por isto, que não é só ela. Eu não vim aqui para dar razão a minha filha. Vim para ver o porquê de ela estar presa.

Terra Magazine

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